Calo no pé
Por Equipe editorial Podologia Brasil · Publicado em · Revisado em
O calo é uma área localizada de pele endurecida que costuma se formar por pressão ou atrito repetido, em geral nos dedos e na planta do pé. Dor, ferida ou diabetes pedem avaliação profissional.
O calo é uma área localizada de pele endurecida, que costuma se formar por pressão ou atrito repetido, em geral nos dedos, na planta do pé e nas laterais. Em muitos casos é só desconfortável, mas dor, ferida ou presença de diabetes pedem avaliação profissional.
O que é
O calo é uma resposta de proteção da pele. Quando um ponto específico do pé sofre pressão ou fricção repetida, as camadas externas da pele se multiplicam e formam uma placa dura, mais espessa no centro. Diferente da calosidade, que costuma ser mais difusa, o calo tende a ser pequeno e bem delimitado, e pode doer ao ser pressionado, porque o centro endurecido empurra os tecidos de baixo.
Os lugares mais comuns são o topo e as laterais dos dedos, onde a pele encosta no calçado, e a planta do pé, nos pontos de apoio. O calo é muito frequente e, na maior parte das vezes, não é sinal de doença grave. É, no entanto, um aviso de que há um ponto de pressão, e esse ponto costuma ter uma causa que vale ser entendida. A página sobre calosidade no pé explica o conjunto, e o olho de peixe e o calo de sangue são variações populares de nome.
O que costuma causar
Em geral, o calo nasce de uma combinação de formato do pé com calçado. Os fatores que mais aparecem:
- calçado estreito, curto ou com bico fino, que comprime os dedos
- salto alto, que joga o peso para a ponta do pé
- falta de meia, ou meia com costura e dobras
- deformidades, como dedos em garra ou joanete, que criam pontos de atrito
- trabalho ou esporte com muito tempo em pé ou muito impacto
- pele seca, mais propensa a engrossar e rachar
A Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia lembra que o joanete costuma vir acompanhado de calosidade na região, porque a saliência óssea aumenta o contato com o calçado. Já a Sociedade Brasileira de Dermatologia chama a atenção para o fato de que a verruga plantar costuma ser confundida com calo. Esse é um bom motivo para não tentar descobrir sozinho o que é cada alteração.
Por que mexer em casa é risco
O calo é duro e visível, e quase todo mundo já sentiu vontade de se livrar dele por conta própria. O risco está em que a pele sob o calo é fina e sensível. Qualquer tentativa de reduzi-lo com instrumento cortante, produto agressivo ou fricção forte pode ferir a pele sadia, causar sangramento e abrir caminho para infecção. Além disso, a agressão costuma fazer a pele reagir engrossando mais, e o calo volta maior.
Também existe o risco de erro de identificação. Se o que parece um calo for uma verruga plantar ou outra alteração, mexer pode espalhar a lesão ou ferir sem necessidade. Em pessoas com diabetes, com má circulação ou com pouca sensibilidade nos pés, o cuidado costuma ser redobrado: pequenas feridas podem passar despercebidas e evoluir. Esse é um dos temas centrais da página de pé diabético.
Por tudo isso, este site não ensina procedimento. A informação útil é entender por que o calo se forma e quando buscar avaliação.
O que o profissional costuma fazer
Ao avaliar um calo, o profissional costuma olhar a pele, o ponto de apoio, o formato do pé e o calçado. Em termos gerais, o calo simples, sem ferida nem sinais de infecção, costuma ser atendido pelo podólogo, que também pode conversar sobre calçado, meia e hábitos que mantêm a pressão no mesmo lugar.
Se o calo doer muito, sangrar, tiver secreção, estiver ao redor de uma ferida, mudar de cor ou aparecer em pessoa com diabetes ou problema circulatório, o caso costuma envolver avaliação médica. Alterações no formato do pé, como o joanete, podem pedir avaliação ortopédica. Em todos os casos, varia conforme o caso, e o profissional avalia. Para a fronteira entre as áreas, veja o que faz um podólogo.
Prevenção no dia a dia
Prevenir o calo é, na prática, reduzir a pressão no mesmo ponto:
- escolher calçado do tamanho certo, com folga para os dedos
- usar meia lisa, sem costura saliente, que absorva o suor
- alternar o calçado ao longo da semana
- lavar os pés diariamente e secar bem, inclusive entre os dedos
- hidratar a pele dos pés, nunca entre os dedos
- observar os pés com atenção, especialmente quem tem diabetes, e buscar avaliação diante de dor ou ferida
Quem sente dor com calçado de salto pode ler a página sobre pé de quem usa salto. A prevenção atua na causa, não na placa de pele em si.
Sinais que costumam pedir avaliação
Alguns sinais indicam que o calo deixou de ser apenas um incômodo: dor que atrapalha o caminhar, vermelhidão e calor ao redor, inchaço, secreção, sangramento, mudança de cor e calo que reaparece rapidamente no mesmo ponto. Nenhum desses sinais diz qual é a causa, mas todos indicam que vale um exame. Quem tem diabetes ou pouca sensibilidade nos pés costuma ser orientado a olhar os pés todos os dias, com boa luz, para notar mudanças que a dor não avisa. Anotar quando a alteração surgiu e qual calçado vinha sendo usado ajuda o profissional na avaliação.
Perguntas frequentes
Por que o calo aparece sempre no mesmo lugar?
Porque a pressão ou o atrito costuma se repetir no mesmo ponto, seja por causa do calçado, do formato do pé ou do jeito de andar. A pele responde engrossando justamente ali.
O calo é contagioso?
Em geral, não. O calo vem de pressão e atrito, não de um microrganismo. Mas algumas alterações parecidas, como a verruga plantar, são causadas por vírus, e só o exame diferencia uma da outra.
Calo doído é motivo de avaliação?
Em geral, sim. Dor ao caminhar, vermelhidão, inchaço ou secreção ao redor do calo costumam pedir avaliação profissional, e em pessoa com diabetes qualquer ferida pede avaliação em serviço de saúde.
Calo e joanete têm relação?
Podem ter. O joanete muda o apoio e o contato do pé com o calçado, e isso costuma favorecer calos e calosidades na região. A avaliação do joanete em si é da área médica, em geral a ortopédica.